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sexta-feira, 8 de junho de 2012

A importância dos Portfólios na avaliação das aprendizagens

A avaliação da aprendizagem é, sem dúvida, uma das maiores dificuldades com que se depara o professor no processo institucional. Perguntas como “o que avaliar?” “para quê avaliar”, “como avaliar” e “quando avaliar” acompanham, muitas vezes, sem respostas claras, a atividade quotidiana do docente. A preocupação com a validade e fidedignidade dos instrumentos de avaliação é outra constante do dia-a-dia de muitos professores. Tudo isso, no entanto, é geralmente referenciado por uma visão muito tradicional de avaliação que procura avaliar, quantitativamente, a aprendizagem através de instrumentos que usualmente são provas escritas.

A partir de 2001 através do Despacho Normativo nº 3/2001, pela primeira vez se enuncia, sobre a avaliação, um conjunto de princípios orientadores. Entre eles pode ler-se a utilização de modos e instrumentos diversificados que estejam de acordo com a natureza das aprendizagens e dos contextos desenvolvidos. Segundo Alves & Gomes (2007, p. 1035), “As tendências atuais das práticas pedagógicas (…) devem envolver os alunos em experiências de aprendizagem mais ricas e diversificadas…”. Ainda, segundo Alves & Gomes (2007, p. 1035) avaliação dos alunos não deve restringir-se aos testes de avaliação tradicionais, devem ser diversificadas as fontes de evidências observadas pelo professor, tornando-se um imperativo pedagógico o desenvolvimento de portefólios electrónicos de aprendizagem. Apesar dos inúmeros instrumentos de avaliação que existem hoje, vou-me debruçar sobre os portfolios como instrumentos de avaliação alternativo aplicado na avaliação de alunos em geral e nos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

A avaliação das aprendizagens aplicada aos alunos com e sem NEE prende-se, essencialmente, com o tipo de instrumentos e métodos de avaliação/comunicação utilizados pelos professores. Nos alunos com NEE a avaliação deve ser vista como um instrumento para os alunos reflectirem sobre a sua própria aprendizagem (por ex: a interacção entre alunos e professores no «ciclo de feedback»). Para os alunos que usam formas aumentativas de comunicação, este processo de feedback não se pode operar com base na linguagem «tradicional». Neste caso, têm de ser exploradas e implementadas abordagens mais individualizadas, novos instrumentos de avaliação e uma variedade de meios para a interacção professor/aluno; por exemplo, observação de situações estruturadas que permitam aos professores avaliar as preferências dos alunos. Os portfólios, na última década, têm sido utilizados como um instrumento alternativo na avaliação dos alunos. O portefólio pode definir-se como um instrumento pedagógico com o objetivo de documentar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos.

O portfólio é uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos por um aluno, ao longo de um dado período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada e pormenorizada quanto possível das diferentes componentes do seu desenvolvimento. Na medida em que o portfólio é um instrumento de avaliação, pode dizer-se que se trata de um conjunto de elementos, acompanhados de indicações e de comentários estruturados, escolhidos pelo aluno e/ou pelo professor com a finalidade de demonstrar o desenvolvimento das competências dos discentes. Este instrumento permite ao aluno identificar os elementos significativos relativamente à progressão das suas aprendizagens. Valadares & Graça (1998, p:94) definem o portfólio do aluno como uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos por este ao longo de um determinado período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada e detalhada quanto possível das diferentes componentes do seu desenvolvimento (cognitivo, metacognitivo, afectivo). Segundo estes autores, a análise do portfolio auxilia o aluno numa atitude reflexiva ajudando-o a desenvolver o sentido de responsabilidade e uma atitude de auto-reflexão, tornando-se num instrumento valioso em todo o seu processo de aprendizagem.

O uso de portefólios electrónicos ou e-portefolios, como instrumento de avaliação surgem como uma necessidade do paradigma educacional da sociedade da informação, na caracterização de Costa (2009) e, como disse Silva (n.d.), o portefólio permite uma avaliação mais concreta e fiel das competências desenvolvidas pelo aluno, ao longo de um determinado processo. São instrumentos de aprendizagem e de avaliação que se fundamentam na capacidade de se conseguir que o aluno se envolva na sua avaliação, refletindo sobre a sua aprendizagem com vista a melhorar. Os portefólios, quer sejam eletrónicos ou não, apresentam-se como um meio de os alunos registarem as suas actividades, reflexões, os seus comentários sobre o trabalho que desenvolvem. O registo escrito permite criar o hábito de pensar as práticas, de se pensar a própria aprendizagem.

As avaliações feitas pelos alunos são expressões da síntese do conhecimento que atingiram. Se não chegarem a um nível satisfatório não devem ser punidos, mas sim “retrabalhados” e solicitados a que elaborem uma nova, mesmo que retomem a anterior como ponto de partida. Uma prática que considero bastante interessante, é o professor interagir com o trabalho dos alunos até que chegue a um nível satisfatório: o aluno entrega a actividade, o professor analisa, faz sugestões e o aluno reelabora. Desta forma, os portfólios desenvolvem a comunicação contínua entre vários intervenientes, permitem um melhor registo do envolvimento dos alunos nos ambientes de aprendizagem, uma melhor organização, possibilidade de estabelecer conexões entre as ideias professor/aluno e participar activamente no processo de construção do conhecimento. Dão a possibilidade de partilha e a colaboração de todos os alunos da turma, aumentam a motivação dos alunos e as possibilidades de feed-back entre professor e alunos, como também referem Alves & Gomes (2007, pp. 1037). Independentemente do seu aspecto (dossier, pasta, etc.), o portfolio: a) colige o conjunto de trabalhos (resumos, esquemas, ensaios, relatórios, notas, fichas de leitura, diários, listas de verificação, registos audio, vídeo e/ou fotográficos, fichas de trabalho, entrevistas, pareceres do(s) professor(es) e colegas... e até os testes) que o aluno produziu e seleccionou como reveladores da sua aprendizagem e não apenas aqueles que foi obrigado a fazer na disciplina (ou disciplinas, pois o portfolio pode ser utilizado como estratégia de avaliação interdisciplinar); b) inclui uma breve reflexão do aluno acerca da relevância de cada trabalho e do que foi possível aprender com a sua realização (metacognição); c) apresenta um carácter dinâmico e contínuo que torna o aluno cúmplice e responsável pela sua aprendizagem e avaliação (motiva-o para a realização de aprendizagens significativas); d) pressupõe uma organização cronológica dos trabalhos que permitirá uma comparação do aluno com ele próprio, valorizando uma análise tanto retrospectiva como prospectiva (o ponto de partida, o percurso e o ponto de chegada); e) poderá servir para reforçar a comunicação professor-aluno e o trabalho de grupo (implicando os alunos na realização e análise crítica dos portfolios dos seus colegas). Este ano letivo 2011-2012 fui colocada em Educação Especial, na qual tenho alunos com Currículo Específico Individual e utilizo o portfólio como instrumento de avaliação, através deste tenho um feedback direto e rápido das aprendizagens dos alunos, quais as suas dificuldades, quais as suas áreas de interesse e motivações.

No trabalho que desenvolvo com estes alunos há uma permanente comunicação entre professor/aluno, apoio-os na organizaçao do portfólio o que deve ser incluido ou não no mesmo, faço anotações e comentários do que pode ser melhorado, ajudo-os, uma vez que os meus alunos têm dificuldades na escrita, a elaborarem a reflexão pessoal sobre o trabalho desenvolvido. Em relação, aos alunos permite-lhes olharem para o seu trabalho, e de se auto-avaliarem refletirem sobre os trabalhos que vão fazendo e refletirem sobre o que aprenderam e como aprenderam.

Os alunos têm numa primeira perspectiva a possibilidade de aplicarem o que é a organização dos materiais e das ideias. Atendendo às caraterísticas dos meus alunos, com dificuldades extremas de aprendizagem daí terem um currículo específico individual e estarem abrangidos pelo decreto-lei 3 de 7 de Janeiro de 2008, este é o instrumento de avaliação que, na minha opinião, melhor se adequa, face ao que se quer avaliar, ou seja, a sua evolução tendo um ponto de partida e um ponto de chegada conforme é focado no Currículo Específico de cada aluno. Em termos globais podemos concluir que os portfolios dizem muito sobre o aluno (contêm evidências referentes a um vasto leque de competências e conhecimentos); evidenciam o processo de aprendizagem e não apenas o produto (não são meros flashes dispersos da aprendizagem, como os testes); permitem relacionar atitudes e valores bem como competências e conhecimentos; fomentam a individualidade e criatividade; refletem a abrangência da aprendizagem (proporcionam abordagens sistémicas); estimulam a síntese e a reflexão; permitem demonstrar os talentos dos alunos etc.