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sábado, 19 de maio de 2012

GUIA DE HISTÓRIA DA ARTE - METODOLOGIAS


Os estudos modernos de História da Arte desenvolveram-se segundo diretivas metodológicas fundamentais:

Formalista - As formas possuem um conteúdo significativo próprio e a representação mostra-se individualizada.
Sociológico - A obra de arte é determinada por interesses que a circundam.
Iconológico - A atividade artística e seus significados.
Estruturalista - O estudo do sinal (semiologia) busca instituir uma ciência absoluta, substituindo a mutabilidade das interpretações pela decifração rigorosa dos sinais mediante a determinação de códigos.

Método Formalista (Escola de Viena)

Estuda a formação da obra de arte partindo da teoria da “pura visualidade” , onde as formas têm um conteúdo significativo próprio. E como a representação dos temas não é puramente descritiva ou ilustrativa, mas universalizada ou idealizada, é precisamente o valor universal ou ideal dos sinais que universaliza ou idealiza a figuração.
O campo da Arte é, portanto, o da perceção objetiva. No plano da aplicação histórica o seu maior expoente foi Heinrich Wölfflin (1864 -1945).(ARGAN,1994)

Categorias de análises
• Linear - Pictórico
• Profundidade - Superfície
• Forma fechada - Forma aberta
• Unidade - Multiplicidade
 • Clareza absoluta - Clareza relativa

Método Sociológico

Leva em consideração a relação existente entre a sociedade vigente e a experiência artística. A Obra de Arte é sempre questionada, promovida, avaliada, utilizada e fruída por um conjunto social. Desse modo, é possível estudar uma obra como determinada e determinante. Entre os fatores que determinam a obra, leva-se em consideração os mecanismos de encomenda, avaliação e remuneração - por quais interesses, de que maneiras, com que fins, algumas pessoas (normalmente ligadas ao poder) encomendam ou adquirem uma obra de arte. Em suma, o historiador sociológico ocupa-se dos movimentos do mercado artístico, do mecenato, da colecionação e, naturalmente, da crítica e da sua influência na orientação do gosto.

MÉTODO ICONOLÓGICO (Aby Warburg - Panofsky)

Parte da premissa que a obra de Arte tem impulsos mais profundos, ao nível do inconsciente individual e coletivo. O que conta é a imagem (o assunto que a rodeia, sua relação com outras imagens e com imagens sedimentadas na memória). “A História da Arte (do ponto de vista iconológico) é a história da transmissão da transmutação da imagem”. Assim, as imagens conseguem atingir várias classes sociais, possuem vida própria e são interpretadas de diversas maneiras. A iconologia é o estudo das infrações ao modelo, do percurso muitas vezes misterioso da imagem na imaginação, dos motivos para as suas reaparições por vezes muito distanciadas do tempo.

 MÉTODO ESTRUTURALISTA

 Foi posto em movimento a partir do estruturalismo linguístico – que se caracteriza pela relação de equivalência entre um significante (algo que enuncia o conceito) e um significado (conceito).Podemos dizer, aproximando-nos de nosso objeto de estudo, que o significado é uma questão de conteúdo, assim como o significante é uma questão de forma.

sábado, 12 de maio de 2012

O PODER DAS IMAGENS

Imagem (do latim: imago) significa a representação visual de um objeto. Em grego antigo corresponde ao termo eidos, raiz etimológica do termo idea ou eidea, cujo conceito foi desenvolvido por Platão. À teoria de Platão, o idealismo, considerava a ideia da coisa, a sua imagem, como sendo uma projeção da mente. Aristóteles, pelo contrário, considerava a imagem como sendo uma aquisição pelos sentidos, a representação mental de um objeto real, fundando a teoria do realismo.

A Análise da Imagem é uma atividade semelhante à análise do Discurso, mas tendo por objeto analítico - imagens. Este tipo de estudo ou técnica tem por método interpretar e "desconstruir" as imagens, em conteúdo e forma, considerando o contexto histórico-social de produção, o autor (emissor) e o público (recetor) que participaram de sua criação, com a finalidade de compreender e identificar sentido nas imagens. A Análise da Imagem considera também o aspeto do Discurso Estético.

A imagem tem várias funções:

- Função informativa (ou referencial): a imagem fornece informações concretas sobre acontecimentos e elementos da realidade. É testemunha dessa realidade, como sucede com os retratos e as fotos das reportagens, na comunicação social; ou pode apresentar um universo imaginário como acontece com as pinturas ou as imagens de ficção. Há quem prefira falar de função representativa, uma vez que a imagem imita uma realidade, tentando mostrá-la o mais objetivamente possível, como na arte figurativa.

- Função explicativa: a imagem tem por objetivo explicar a realidade através de sobreposição de dados. É isto que acontece nas ilustrações que ajudam a explicar os textos ou em diagramas que ajudam a explicar graficamente um processo ou uma relação. Pode ser designada por função descritiva na medida em que a imagem contribui para apresentar em detalhe a realidade (pessoa, paisagem...). Enquanto as funções informativa e representativa são sintéticas, as funções descritiva e explicativa são analíticas.

- Função argumentativa: a imagem procura influenciar comportamentos, persuadir, convencer, tornando-se um importante instrumento na publicidade e na propaganda. Ao centrar-se no recetor e ao ter intenção de o influenciar, esta função junta-se à função conativa ou apelativa da linguagem, que tenta exortar, suscitar ou provocar estímulos, promover, mudar comportamentos.

- Função crítica: a imagem não apenas informa, mas procura desvendar e denunciar situações. Tanto pode ser apenas reveladora de uma realidade ou processo, apontando caminhos, como acusadora para alertar consciências. As caricaturas e desenhos humorísticos privilegiam esta função crítica.

- Função estética: a imagem visa a satisfação e o prazer do belo, valorizando as repetições, alternâncias ou contrastes dos elementos que a configuram como as linhas, as formas, a cor, a luz...

- Função simbólica: a imagem orienta-se para significados sobrepostos à própria realidade (como acontece com bandeiras, imagens convencionais como o coração com uma flecha...) De outras diversas funções, que normalmente se combinam entre si, podemos ainda destacar:

- Função narrativa: a imagem conta ou sugere histórias, cenas, ações (como sucede em frescos, bandas desenhadas, filmes...).

- Função expressiva: a imagem revela sentimentos, emoções e valores do próprio autor ou daquilo que representa (expressões faciais, posturas do corpo, perspetivas de enquadramento, jogos de luz, relação com o cenário...).

- Função lúdica: a imagem orienta-se para o jogo, o entretenimento, incluindo o humor, a caricatura...

 - Função metalinguística: a imagem interessa-se pelo código visual, como sucede com a utilização de modelos para representar algo ou com os auto-retratos em que o artista se representa, pintando.

Bibliografia
Joly, M. (2007). Introdução à análise de imagem. Ed.70, Lisboa.