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sábado, 16 de junho de 2012

Sociedade de Informação e Ensino

a)      Caracterize a sociedade da informação e conhecimento.

Sociedade da Informação também chamada de Sociedade do Conhecimento surgiu no fim do Século XX, com origem no termo Globalização. Este tipo de sociedade encontra-se em processo de formação e expansão.
A sociedade está em constante mudança sendo que essa mudança tem-se verificado com grande rapidez, e como tal, a sociedade contemporânea está inserida num processo de mudança em que as novas tecnologias são as principais responsáveis. Alguns autores identificam um novo paradigma de sociedade que se baseia num bem precioso, a informação. Esta nova Era tem como pilar fundamental o desenvolvimento das tecnologias da informação digital
Este novo modelo de organização das sociedades assenta no desenvolvimento social e económico na qual a informação é o meio de criação de conhecimento que desempenha um papel preponderante na produção de riqueza e na contribuição para o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos. Segundo, o Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal «A expressão ‘Sociedade da Informação’ refere-se a um modo de desenvolvimento social e económico em que a aquisição, armazenamento, processamento, valorização, transmissão, distribuição e disseminação de informação conducente à criação de conhecimento e à satisfação das necessidades dos cidadãos e das empresas, desempenham um papel central na atividade económica, na criação de riqueza, na definição da qualidade de vida dos cidadãos e das suas práticas culturais.»
A Sociedade de Informação tem como características a globalização, a velocidade, a aceleração, instantaneidade, desatualização, formação permanente e mediatização. A Globalização a informação circula por todo o globo, podemos assistir, em direto, a acontecimentos que estão a ocorrer do outro lado do planeta; Velocidade a produção e circulação de informação processa de forma muito rápida; A aceleração de todos os novos meios e suportes da informação fazem com que a produção e circulação de informação se processem de forma cada vez mais rápida; Instantaneidade pode-se saber instantaneamente o que acontece do outro lado do mundo; Desatualização a constante circulação de informação conduz a uma desatualização constante; Formação Permanente, para nos mantermos atualizados é necessário estarmos em constante formação; Mediatização a sociedade de informação gravita à volta de mecanismos de produção, tratamento e distribuição de informação e, exige, do ponto vista técnico,  infra-estruturas necessárias para a sua utilização em todos os âmbitos da vida social.

b)     Reflita sobre as suas consequências para a escola atual.

As consequências positivas são visíveis tal como a valorização das novas competências e habilidades. As Tecnologias de Informação e Comunicação assumem um papel fundamental na construção de uma escola voltada para a formação de indivíduos capazes de construir o seu próprio conhecimento, e integradora de todos os alunos, considerando não só as suas necessidades individuais mas também a forma como constroem as suas aprendizagens.
A utilização, em contexto educativo, de recursos tecnológicos inovadores, como por exemplo a moodle e os e-portfólios, correspondem a práticas pedagógicas que vão ao encontro das expectativas e necessidades da geração atual e começam a ser uma realidade cada vez mais presente no trabalho desenvolvido por professores mais atentos à mudança. As dificuldades resultam da falta de formação específica dos professores que não adquiriram competências ao longo da carreira, no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), necessárias à compreensão e desenvolvimento do uso das novas tecnologias. Considero ser este um dos constrangimentos fundamentais da transição das escolas para as práticas pedagógicas mais consentâneas com o paradigma educacional da sociedade da informação.

c) Trace um cenário concreto em que adapte recursos próprios da sociedade da informação
e conhecimento a práticas pedagógicas na sua disciplina.

Na minha disciplina, História eu uso os E-portefolios, como instrumento de avaliação, estes surgem como uma necessidade do paradigma educacional da sociedade da informação, na caracterização de Costa (2009) e, como disse Silva (n.d.), o portefólio permite uma avaliação mais concreta e fiel das competências desenvolvidas pelo aluno, ao longo de um determinado processo. São instrumentos de aprendizagem e de avaliação que se fundamentam na capacidade de se conseguir que o aluno se envolva na sua avaliação, refletindo sobre a sua aprendizagem com vista a melhorar. Desta forma, os e-portefólios desenvolvem a comunicação contínua entre vários intervenientes, permitem um melhor registo do envolvimento dos alunos nos ambientes de aprendizagem, uma melhor organização, possibilidade de estabelecer conexões entre as ideias professor/aluno e participar ativamente no processo de construção do conhecimento. Dão a possibilidade de partilha e a colaboração de todos os alunos da turma, aumentam a motivação dos alunos e as possibilidades de feed-back entre professor e alunos, como também referem Alves & Gomes (2007, pp. 1037).

Referências Bibliográficas
ALVES, Ana Paula; GOMES, Maria João; (2007). E-Portefólios: Um estudo de caso no ensino da Matemática.
COSTA, Cristina. (2009) - EUREKA TIC, 10º Encontro Nacional sobre Aplicação das TIC na Educação. Auditório Municipal da Batalha, 10 de Julho.
Castells, M. A Sociedade em rede: do conhecimento à Política – Compreender a transformação social
Meirinhos, M. (2000). Encontro Novas Tecnologias e a Educação. Bragança, 25 e 26 de Maio 2000, Bragança.
SILVA, Ana Paula n.d. - “Avaliação de Competências com portfóliohttp://www.proformar.org/revista/edicao_20/ava_comp_portfolio.pdf

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Modalidades de avaliação


Antes de analisar as diversas práticas de avaliação na escola, gostaria de refletir um pouco sobre o que é avaliar. Podemos definir avaliar como a elaboração de um juízo de valor, qualitativo ou quantitativo, sobre uma acção, neste caso a ação do aluno. Toda a ação do aluno é avaliável, com escalas e registos, mais ou menos adequados, é possível avaliar a cooperação, a confiança, a responsabilidade e a participação, no domínio sócio-afetivo, assim como a aquisição, compreensão e aplicação de conceitos, no domínio cognitivo. Desta forma, a principal etapa dos processos de avaliação da aprendizagem é o da enunciação clara dos critérios de avaliação que estão na base de recolha, tratamento e informação dos dados para podermos avaliar. A recolha de dados é feita através de inúmeros instrumentos de avaliação como por exemplo; fichas formativas, sumativas, trabalhos de casa, participação entre muitos outros. Os critérios de avaliação, estabelecidos pela escola, permite tornarem a avaliação numa acção com orientações precisas. Para Alaiz, Gonçalves e Barbosa (1997, p. 69), indica que "quase todas as escolas dos vários ciclos (do ensino básico) definem critérios de avaliação. Esses critérios referem-se maioritariamente à avaliação sumativa. No entanto, existe referência significativa á avaliação formativa nesses documentos".
A avaliação dos alunos rege-se pelo Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro, pelo Despacho Normativo n.º 1/2005, de 5 de Janeiro e pelas seguintes disposições: 1. Critérios de Avaliação. Compete ao conselho pedagógico, no início do ano lectivo, de acordo com as orientações do currículo nacional e sob proposta dos conselhos de docentes, no caso do 1º ciclo, e dos departamentos curriculares e coordenadores de Ciclo, no caso do 2º e 3º ciclos definir os critérios de avaliação para cada Ciclo ensino e ano de escolaridade. Os critérios de avaliação mencionados constituem referenciais comuns, no interior de cada escola, sendo operacionalizados pelo professor titular da turma, no 1º Ciclo, e pelo conselho de turma, nos 2º e 3º Ciclos, no âmbito do respectivo projecto curricular de turma. O órgão de direcção executiva da escola deve garantir a divulgação dos critérios referidos nos números anteriores junto dos diversos intervenientes, nomeadamente alunos e encarregados de educação.
2. Processo de Avaliação. A avaliação é contínua, reportando-se aos conhecimentos e atitudes do
aluno de acordo com o currículo nacional em vigor e as normas do Regulamento Interno, os quais devem reflectir as aquisições a nível de competências, e conteúdos considerados pelos departamentos curriculares como indispensáveis à progressão para o ano / ciclo seguintes. A avaliação reveste-se de 3 modalidades:

Avaliação diagnóstica é a modalidade de avaliação que averigua se os alunos possuem os conhecimentos e aptidões para poderem iniciar novas aprendizagens. Permite identificar problemas, no início de novas aprendizagens, servindo de base para decisões posteriores, através de uma adequação do ensino às características dos alunos. Verifica se o aluno possui as aprendizagens anteriores necessárias para as novas aprendizagens e também se os alunos já têm conhecimentos da matéria que o professor vai ensinar.

Avaliação Formativa é a principal modalidade de avaliação do ensino básico, assume carácter contínuo e sistemático e visa a regulação do ensino e da aprendizagem; A avaliação formativa constitui a modalidade fundamental de avaliação no ensino básico destinando-se, de   acordo com o Despacho Normativo n.º 1/2005, de 5 de Janeiro “…a fornecer ao professor, ao aluno, ao encarregado de educação e aos restantes intervenientes informações sobre o desenvolvimento das aprendizagens e competências, de modo a permitir rever e melhorar os processos de trabalho”.
Esta é a modalidade de avaliação que acompanha permanentemente o processo de ensino-aprendizagem, sendo fundamental para a qualidade da aprendizagem (Cardinet, 1993; Lemos, Neves, Campos, Conceição e Alaiz, 1994). Ao atribuir importância ao aluno, dá atenção à sua motivação, à regularidade do seu esforço, à sua forma de abordar as tarefas e às estratégias de resolução de problemas que utiliza (Cardinet, 1993).

            A avaliação sumativa encontra-se também descrita no Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de Janeiro, que refere: "… traduz-se na formulação de um juízo globalizante sobre as aprendizagens realizadas pelos alunos” tendo lugar, ordinariamente, no final de cada período lectivo, no final de cada ano e de cada ciclo de ensino, podendo, também, acrescentamos, ter lugar no final de uma ou várias unidades de ensino que interessa avaliar globalmente. A avaliação sumativa fornece um resumo da informação disponível, procede a um balanço de resultados no final de um segmento extenso de ensino.

             Ribeiro, A., Ribeiro, L. (1989) refere que a avaliação formativa não é alternativa à avaliação sumativa; a sua complementaridade resulta não só do facto de permitir uma visão de síntese, mas, também, de acrescentar dados à avaliação pois esta é mais global e está mais distante no tempo relativamente ao momento em que as aprendizagens ocorreram o que permite avaliar a retenção dos objectivos mais importantes e verificar a capacidade de transferência de conhecimentos para situações novas. Sublinhe-se, complementarmente, que as diferentes formas de avaliação (formativa, sumativa, diagnóstica) não se excluem entre si, não sendo as diferentes modalidades de avaliação mutuamente exclusivas. Também onsidero que as três modalidades de avaliação são importantes e elas complementam-se, na minha atividade profissional utilizo as três entre outros instrumentos de avaliação que considero pertinentes para o sucesso escolar do aluno.
Para avaliar é necessário recolher dados, analisar e julgar, logo os critérios de avaliação têm de estar definidos de forma clara e objetiva.
A importância dos Portfólios na avaliação das aprendizagens

A avaliação da aprendizagem é, sem dúvida, uma das maiores dificuldades com que se depara o professor no processo institucional. Perguntas como “o que avaliar?” “para quê avaliar”, “como avaliar” e “quando avaliar” acompanham, muitas vezes, sem respostas claras, a atividade quotidiana do docente. A preocupação com a validade e fidedignidade dos instrumentos de avaliação é outra constante do dia-a-dia de muitos professores. Tudo isso, no entanto, é geralmente referenciado por uma visão muito tradicional de avaliação que procura avaliar, quantitativamente, a aprendizagem através de instrumentos que usualmente são provas escritas.

A partir de 2001 através do Despacho Normativo nº 3/2001, pela primeira vez se enuncia, sobre a avaliação, um conjunto de princípios orientadores. Entre eles pode ler-se a utilização de modos e instrumentos diversificados que estejam de acordo com a natureza das aprendizagens e dos contextos desenvolvidos. Segundo Alves & Gomes (2007, p. 1035), “As tendências atuais das práticas pedagógicas (…) devem envolver os alunos em experiências de aprendizagem mais ricas e diversificadas…”. Ainda, segundo Alves & Gomes (2007, p. 1035) avaliação dos alunos não deve restringir-se aos testes de avaliação tradicionais, devem ser diversificadas as fontes de evidências observadas pelo professor, tornando-se um imperativo pedagógico o desenvolvimento de portefólios electrónicos de aprendizagem. Apesar dos inúmeros instrumentos de avaliação que existem hoje, vou-me debruçar sobre os portfolios como instrumentos de avaliação alternativo aplicado na avaliação de alunos em geral e nos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE).

A avaliação das aprendizagens aplicada aos alunos com e sem NEE prende-se, essencialmente, com o tipo de instrumentos e métodos de avaliação/comunicação utilizados pelos professores. Nos alunos com NEE a avaliação deve ser vista como um instrumento para os alunos reflectirem sobre a sua própria aprendizagem (por ex: a interacção entre alunos e professores no «ciclo de feedback»). Para os alunos que usam formas aumentativas de comunicação, este processo de feedback não se pode operar com base na linguagem «tradicional». Neste caso, têm de ser exploradas e implementadas abordagens mais individualizadas, novos instrumentos de avaliação e uma variedade de meios para a interacção professor/aluno; por exemplo, observação de situações estruturadas que permitam aos professores avaliar as preferências dos alunos. Os portfólios, na última década, têm sido utilizados como um instrumento alternativo na avaliação dos alunos. O portefólio pode definir-se como um instrumento pedagógico com o objetivo de documentar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos.

O portfólio é uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos por um aluno, ao longo de um dado período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada e pormenorizada quanto possível das diferentes componentes do seu desenvolvimento. Na medida em que o portfólio é um instrumento de avaliação, pode dizer-se que se trata de um conjunto de elementos, acompanhados de indicações e de comentários estruturados, escolhidos pelo aluno e/ou pelo professor com a finalidade de demonstrar o desenvolvimento das competências dos discentes. Este instrumento permite ao aluno identificar os elementos significativos relativamente à progressão das suas aprendizagens. Valadares & Graça (1998, p:94) definem o portfólio do aluno como uma colecção organizada e devidamente planeada de trabalhos produzidos por este ao longo de um determinado período de tempo, de forma a poder proporcionar uma visão tão alargada e detalhada quanto possível das diferentes componentes do seu desenvolvimento (cognitivo, metacognitivo, afectivo). Segundo estes autores, a análise do portfolio auxilia o aluno numa atitude reflexiva ajudando-o a desenvolver o sentido de responsabilidade e uma atitude de auto-reflexão, tornando-se num instrumento valioso em todo o seu processo de aprendizagem.

O uso de portefólios electrónicos ou e-portefolios, como instrumento de avaliação surgem como uma necessidade do paradigma educacional da sociedade da informação, na caracterização de Costa (2009) e, como disse Silva (n.d.), o portefólio permite uma avaliação mais concreta e fiel das competências desenvolvidas pelo aluno, ao longo de um determinado processo. São instrumentos de aprendizagem e de avaliação que se fundamentam na capacidade de se conseguir que o aluno se envolva na sua avaliação, refletindo sobre a sua aprendizagem com vista a melhorar. Os portefólios, quer sejam eletrónicos ou não, apresentam-se como um meio de os alunos registarem as suas actividades, reflexões, os seus comentários sobre o trabalho que desenvolvem. O registo escrito permite criar o hábito de pensar as práticas, de se pensar a própria aprendizagem.

As avaliações feitas pelos alunos são expressões da síntese do conhecimento que atingiram. Se não chegarem a um nível satisfatório não devem ser punidos, mas sim “retrabalhados” e solicitados a que elaborem uma nova, mesmo que retomem a anterior como ponto de partida. Uma prática que considero bastante interessante, é o professor interagir com o trabalho dos alunos até que chegue a um nível satisfatório: o aluno entrega a actividade, o professor analisa, faz sugestões e o aluno reelabora. Desta forma, os portfólios desenvolvem a comunicação contínua entre vários intervenientes, permitem um melhor registo do envolvimento dos alunos nos ambientes de aprendizagem, uma melhor organização, possibilidade de estabelecer conexões entre as ideias professor/aluno e participar activamente no processo de construção do conhecimento. Dão a possibilidade de partilha e a colaboração de todos os alunos da turma, aumentam a motivação dos alunos e as possibilidades de feed-back entre professor e alunos, como também referem Alves & Gomes (2007, pp. 1037). Independentemente do seu aspecto (dossier, pasta, etc.), o portfolio: a) colige o conjunto de trabalhos (resumos, esquemas, ensaios, relatórios, notas, fichas de leitura, diários, listas de verificação, registos audio, vídeo e/ou fotográficos, fichas de trabalho, entrevistas, pareceres do(s) professor(es) e colegas... e até os testes) que o aluno produziu e seleccionou como reveladores da sua aprendizagem e não apenas aqueles que foi obrigado a fazer na disciplina (ou disciplinas, pois o portfolio pode ser utilizado como estratégia de avaliação interdisciplinar); b) inclui uma breve reflexão do aluno acerca da relevância de cada trabalho e do que foi possível aprender com a sua realização (metacognição); c) apresenta um carácter dinâmico e contínuo que torna o aluno cúmplice e responsável pela sua aprendizagem e avaliação (motiva-o para a realização de aprendizagens significativas); d) pressupõe uma organização cronológica dos trabalhos que permitirá uma comparação do aluno com ele próprio, valorizando uma análise tanto retrospectiva como prospectiva (o ponto de partida, o percurso e o ponto de chegada); e) poderá servir para reforçar a comunicação professor-aluno e o trabalho de grupo (implicando os alunos na realização e análise crítica dos portfolios dos seus colegas). Este ano letivo 2011-2012 fui colocada em Educação Especial, na qual tenho alunos com Currículo Específico Individual e utilizo o portfólio como instrumento de avaliação, através deste tenho um feedback direto e rápido das aprendizagens dos alunos, quais as suas dificuldades, quais as suas áreas de interesse e motivações.

No trabalho que desenvolvo com estes alunos há uma permanente comunicação entre professor/aluno, apoio-os na organizaçao do portfólio o que deve ser incluido ou não no mesmo, faço anotações e comentários do que pode ser melhorado, ajudo-os, uma vez que os meus alunos têm dificuldades na escrita, a elaborarem a reflexão pessoal sobre o trabalho desenvolvido. Em relação, aos alunos permite-lhes olharem para o seu trabalho, e de se auto-avaliarem refletirem sobre os trabalhos que vão fazendo e refletirem sobre o que aprenderam e como aprenderam.

Os alunos têm numa primeira perspectiva a possibilidade de aplicarem o que é a organização dos materiais e das ideias. Atendendo às caraterísticas dos meus alunos, com dificuldades extremas de aprendizagem daí terem um currículo específico individual e estarem abrangidos pelo decreto-lei 3 de 7 de Janeiro de 2008, este é o instrumento de avaliação que, na minha opinião, melhor se adequa, face ao que se quer avaliar, ou seja, a sua evolução tendo um ponto de partida e um ponto de chegada conforme é focado no Currículo Específico de cada aluno. Em termos globais podemos concluir que os portfolios dizem muito sobre o aluno (contêm evidências referentes a um vasto leque de competências e conhecimentos); evidenciam o processo de aprendizagem e não apenas o produto (não são meros flashes dispersos da aprendizagem, como os testes); permitem relacionar atitudes e valores bem como competências e conhecimentos; fomentam a individualidade e criatividade; refletem a abrangência da aprendizagem (proporcionam abordagens sistémicas); estimulam a síntese e a reflexão; permitem demonstrar os talentos dos alunos etc.

sábado, 19 de maio de 2012

GUIA DE HISTÓRIA DA ARTE - METODOLOGIAS


Os estudos modernos de História da Arte desenvolveram-se segundo diretivas metodológicas fundamentais:

Formalista - As formas possuem um conteúdo significativo próprio e a representação mostra-se individualizada.
Sociológico - A obra de arte é determinada por interesses que a circundam.
Iconológico - A atividade artística e seus significados.
Estruturalista - O estudo do sinal (semiologia) busca instituir uma ciência absoluta, substituindo a mutabilidade das interpretações pela decifração rigorosa dos sinais mediante a determinação de códigos.

Método Formalista (Escola de Viena)

Estuda a formação da obra de arte partindo da teoria da “pura visualidade” , onde as formas têm um conteúdo significativo próprio. E como a representação dos temas não é puramente descritiva ou ilustrativa, mas universalizada ou idealizada, é precisamente o valor universal ou ideal dos sinais que universaliza ou idealiza a figuração.
O campo da Arte é, portanto, o da perceção objetiva. No plano da aplicação histórica o seu maior expoente foi Heinrich Wölfflin (1864 -1945).(ARGAN,1994)

Categorias de análises
• Linear - Pictórico
• Profundidade - Superfície
• Forma fechada - Forma aberta
• Unidade - Multiplicidade
 • Clareza absoluta - Clareza relativa

Método Sociológico

Leva em consideração a relação existente entre a sociedade vigente e a experiência artística. A Obra de Arte é sempre questionada, promovida, avaliada, utilizada e fruída por um conjunto social. Desse modo, é possível estudar uma obra como determinada e determinante. Entre os fatores que determinam a obra, leva-se em consideração os mecanismos de encomenda, avaliação e remuneração - por quais interesses, de que maneiras, com que fins, algumas pessoas (normalmente ligadas ao poder) encomendam ou adquirem uma obra de arte. Em suma, o historiador sociológico ocupa-se dos movimentos do mercado artístico, do mecenato, da colecionação e, naturalmente, da crítica e da sua influência na orientação do gosto.

MÉTODO ICONOLÓGICO (Aby Warburg - Panofsky)

Parte da premissa que a obra de Arte tem impulsos mais profundos, ao nível do inconsciente individual e coletivo. O que conta é a imagem (o assunto que a rodeia, sua relação com outras imagens e com imagens sedimentadas na memória). “A História da Arte (do ponto de vista iconológico) é a história da transmissão da transmutação da imagem”. Assim, as imagens conseguem atingir várias classes sociais, possuem vida própria e são interpretadas de diversas maneiras. A iconologia é o estudo das infrações ao modelo, do percurso muitas vezes misterioso da imagem na imaginação, dos motivos para as suas reaparições por vezes muito distanciadas do tempo.

 MÉTODO ESTRUTURALISTA

 Foi posto em movimento a partir do estruturalismo linguístico – que se caracteriza pela relação de equivalência entre um significante (algo que enuncia o conceito) e um significado (conceito).Podemos dizer, aproximando-nos de nosso objeto de estudo, que o significado é uma questão de conteúdo, assim como o significante é uma questão de forma.

sábado, 12 de maio de 2012

O PODER DAS IMAGENS

Imagem (do latim: imago) significa a representação visual de um objeto. Em grego antigo corresponde ao termo eidos, raiz etimológica do termo idea ou eidea, cujo conceito foi desenvolvido por Platão. À teoria de Platão, o idealismo, considerava a ideia da coisa, a sua imagem, como sendo uma projeção da mente. Aristóteles, pelo contrário, considerava a imagem como sendo uma aquisição pelos sentidos, a representação mental de um objeto real, fundando a teoria do realismo.

A Análise da Imagem é uma atividade semelhante à análise do Discurso, mas tendo por objeto analítico - imagens. Este tipo de estudo ou técnica tem por método interpretar e "desconstruir" as imagens, em conteúdo e forma, considerando o contexto histórico-social de produção, o autor (emissor) e o público (recetor) que participaram de sua criação, com a finalidade de compreender e identificar sentido nas imagens. A Análise da Imagem considera também o aspeto do Discurso Estético.

A imagem tem várias funções:

- Função informativa (ou referencial): a imagem fornece informações concretas sobre acontecimentos e elementos da realidade. É testemunha dessa realidade, como sucede com os retratos e as fotos das reportagens, na comunicação social; ou pode apresentar um universo imaginário como acontece com as pinturas ou as imagens de ficção. Há quem prefira falar de função representativa, uma vez que a imagem imita uma realidade, tentando mostrá-la o mais objetivamente possível, como na arte figurativa.

- Função explicativa: a imagem tem por objetivo explicar a realidade através de sobreposição de dados. É isto que acontece nas ilustrações que ajudam a explicar os textos ou em diagramas que ajudam a explicar graficamente um processo ou uma relação. Pode ser designada por função descritiva na medida em que a imagem contribui para apresentar em detalhe a realidade (pessoa, paisagem...). Enquanto as funções informativa e representativa são sintéticas, as funções descritiva e explicativa são analíticas.

- Função argumentativa: a imagem procura influenciar comportamentos, persuadir, convencer, tornando-se um importante instrumento na publicidade e na propaganda. Ao centrar-se no recetor e ao ter intenção de o influenciar, esta função junta-se à função conativa ou apelativa da linguagem, que tenta exortar, suscitar ou provocar estímulos, promover, mudar comportamentos.

- Função crítica: a imagem não apenas informa, mas procura desvendar e denunciar situações. Tanto pode ser apenas reveladora de uma realidade ou processo, apontando caminhos, como acusadora para alertar consciências. As caricaturas e desenhos humorísticos privilegiam esta função crítica.

- Função estética: a imagem visa a satisfação e o prazer do belo, valorizando as repetições, alternâncias ou contrastes dos elementos que a configuram como as linhas, as formas, a cor, a luz...

- Função simbólica: a imagem orienta-se para significados sobrepostos à própria realidade (como acontece com bandeiras, imagens convencionais como o coração com uma flecha...) De outras diversas funções, que normalmente se combinam entre si, podemos ainda destacar:

- Função narrativa: a imagem conta ou sugere histórias, cenas, ações (como sucede em frescos, bandas desenhadas, filmes...).

- Função expressiva: a imagem revela sentimentos, emoções e valores do próprio autor ou daquilo que representa (expressões faciais, posturas do corpo, perspetivas de enquadramento, jogos de luz, relação com o cenário...).

- Função lúdica: a imagem orienta-se para o jogo, o entretenimento, incluindo o humor, a caricatura...

 - Função metalinguística: a imagem interessa-se pelo código visual, como sucede com a utilização de modelos para representar algo ou com os auto-retratos em que o artista se representa, pintando.

Bibliografia
Joly, M. (2007). Introdução à análise de imagem. Ed.70, Lisboa.




sábado, 14 de abril de 2012

Reflexões sobre o estatuto da História




Marcada por um longo e, às vezes, conturbado processo de elaboração, o discurso historiográfico é essencial para que tomemos consciência do papel da nossa disciplina no mundo contemporâneo. Usurpada por uns, manietada por outros ou ainda servindo de instrumento de glorificação, a história é um estudo importante na formação do Homem e na sua inserção social.

Mas a História é realmente uma ciência ou um discurso sobre ela?

A história, que significa "pesquisa", "conhecimento advindo da investigação" é a ciência que estuda o Homem e a sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado.
A História é uma ciência com um objeto – o Homem no tempo e como tal tem de se submeter, ao método científico. O método científico é um conjunto de regras básicas, de como se deve proceder a fim de se produzir conhecimento científico, quer seja este, um novo conhecimento quer seja este, fruto de uma integração, correção (evolução) ou uma expansão da área de abrangência de conhecimentos pré-existentes.
O método histórico é o método crítico ou crítica histórica, compreende duas operações a: análise e síntese .



A Análise compreende, por sua vez, quatro operações: a heurística, as críticas interna e externa, e a hermenêutica.


1. Heurística, é a operação pela qual se procede a recolha das fontes de informação necessárias à análise histórica.


2. Crítica, onde se avalia a validade ou não das versões contraditórias. É o mais complexo.


3. Hermenêutica, é a operação pela qual se procede a interpretação dos documentos em termos de se saber em que medida as informações fornecidas por estes responde a questões inicialmente levantadas.


A História é construída pelo historiador a partir da análise de textos historiográficos. O historiador tem o papel fundamental na formação da história enquanto ciência; porque é ele que busca a "realidade ou a verdade histórica"; porém o fato histórico, não se destaca por si próprio, depende da ação do historiador para o valorizar e organizar.
O historiador é uma peça fundamental no motor da história; ele tem o poder de selecionar, classificar, criticar e por fim extrair uma conclusão do facto, portanto a História apesar de ser uma ciência, o facto histórico ou a realidade histórica só é tomado com rigor ciêntifico após uma rflexão do historiador, que o constroi.


A História é um estudo problematizante e "questionador" ou uma descrição, mais ou menos elaborada?

Ao longo do tempo o conceito de História evoluiu segundo Maria Cândida Proença (1989) “Longe vai o tempo do absoluto domínio da História positivista e factual, descritiva, neutra, objetiva, aceitável por todos. Hoje, encontramo-nos muito mais próximos da posição de que a História só pode ser problemática, interpretativa, sociológica, filosófica, inaceitável para alguns” p.91.
A História é um estudo problematizante e questionador mas foi um conceito que foi evoluindo.
Para os gregos, a história não se referia necessariamente ao passado, era antes uma lista ou descrição sistemática de factos. Para Aristóteles, a história era o estudo de fenómenos particulares. A Grécia Clássica acentuou a formação do espirito do historiador e a construção do seu pensamento racional. Na Grécia Clássica, Heródoto e Tucídes são considerados como os fundadores da História. Durante a Idade Média, a história permaneceu ligada às crónicas e a uma conceção teológica muitas vezes deformada nos relatos pela distorção e pela lenda. O conceito científico começou a avançar durante o Renascimento, quando os humanistas adotaram uma visão mais ampla e desvinculada da teologia ao interpretar os textos clássicos. No século XVII empregaram-se algumas ciências auxiliares que possibilitaram os primeiros esboços de uma "ciência" histórica em sentido moderno.
Alguns pensadores desse século, no entanto, não consideravam a História uma ciência. Essa era a opinião de Francis Bacon e René Descartes, embora em tenham dado uma excelente contribuição, pois assentaram as bases filosóficas da ideia do progresso contínuo da humanidade, que teve muita influência no pensamento do século XIX. Bacon dava pouca importância à precisão histórica, mas realizou uma divisão útil da história civil e natural, e relacionou-a com a memória. Descartes chegou a duvidar de que a história fosse um ramo do conhecimento.
Até o século XVIII não se pode falar de uma conceção científica da história. A partir de desta altura há uma preocupação com a verdade, com o método, com a análise crítica de causas e consequências, tempo e espaço. Esta conceção define-se a partir da mentalidade oriunda das ideias filosóficas que nortearam a Revolução Francesa de 1789. Toma corpo com a discussão dialética (de Hegel e Karl Marx) do século XIX e consolida-se com as teses de Leopold Von Ranke, criador do Rankeanismo, o qual contesta o chamado "Positivismo Histórico" (que não é relacionado ao positivismo político de Augusto Comte) e posteriormente com o surgimento da Escola dos Annales, no começo do século XX.
Jean Le Rond d'Alembert adotou na Encyclopédie a classificação de Bacon, que relacionou os conhecimentos humanos com as faculdades da memória (história), da razão (filosofia) e da imaginação (poesia), e dividiu a história em sagrada, civil e natural.
No século XVIII a História desenvolveu-se a vários níveis, o seu conteúdo deixou de se limitar às narrações de guerras ou das vidas dos monarcas. O campo de investigação é alargado. Tratou-se de mudar a matéria habitual e a problemática da história.Com o advento da revolução a História adquire uma função política.
No século XIX e a especialização da História, neste século a história distancia-se da filosofia e cria-se a História Cientifica “…de carácter erudito e técnico que liberta-a dos vínculos que a aligavam à filosofia. Ao mesmo tempo desenvolveram-se diversas disciplinas especializadas: história económica, história política etc.” (Proença, 1989:29).
No século XX com a revista dos Annales fundada em 1929 por Marc Bloch e Lucian Febvre, foi empreendida uma forte renovação no conhecimento histórico. Suas abordagens revolucionaram o estudo da História. Uma delas foi a nova maneira de encarar a relação do historiador com o seu objeto, acompanhada pela tentativa de construção de uma história total, através da utilização de abordagens e metodologias vindas de outras ciências sociais, daí sua preocupação com a interdisciplinaridade.

Pode-se dizer que as principais contribuições da Primeira Geração dos Annales foram: ampliação da ideia de documento (ao considerar que o historiador podia utilizar outras fontes), aproximação com outras ciências humanas, em uma clara resposta aos questionamentos e vazios deixados pela historiografia do século XIX, que defendia a primazia dos factos, depositados nos documentos oficiais, cabendo ao historiador, “extrair” a verdade sobre o passado, produzindo grandes narrativas, como as histórias políticas e nacionais.
A Escola dos Annales “…põe em causa toda a historiografia tradicional, surgindo como reação às escolas metódica e positivista. Visava, sobretudo, substituir uma visão demasiadamente política e institucional da História, que caracterizava as correntes anteriores, por uma História mais vasta, que incluísse todas as atividades humanas; uma perspetiva da História menos ligada à narrativa dos acontecimentos e mais ligada à análise das estruturas” (http://www.infopedia.pt/$escola-dos-annales, visualizado dia 13.04.2012) . Esta escola preconizava a História total, substituição da história narrativa pela história – problemas, alargamento do campo do documento e privilegiava as relações de interdisciplinariedade. A história é viva e está em constante mutação, nada é estanque, evolui.


A História está ao serviço do Homem e permite compreender melhor o futuro deste? Ou é o estudo do passado?


É o estudo do passado para entender o presente, mas de um passado vivo, que está presente em nós.
Segundo José Mattoso (2002:96), é o conhecimento do passado humano “…que permite ao individuo adquirir uma noção global de sociedade, em que está inserido, por intermédio do conhecimento que a história fornece acerca dos diversos fatores que interferem na constituição dessa mesma sociedade” .

Marc Bloch no seu livro Apologia da História ou o Ofício do Historiador (1941-1942) define História como a ciência que estuda o Homem no Tempo. Com esta definição, a historiografia do século XX começa a se apresentar uma proposta mais sofisticada, ao invés de se limitar apenas ao estudo do passado, o próprio tempo presente podia agora ser apresentado como um dos campos de interesse dos historiadores.
Com Heródoto, a História tinha já como seu ‘centro de interesses’ o “homem”. A História, então, remetia etimologicamente à “investigação”, mas não ainda explicitamente ao estudo do homem “no tempo”. Mas com os Annales e outros movimentos do século XX, ou mesmo com os fundamentos do Materialismo Histórico em meados do século XIX, ficará claro que a delimitação da História foi se afinando e se enriquecendo na direção de considerar que o seu ‘campo de interesses’ se refere aos objetos que remetem ao “homem envolvido pela temporalidade”. De resto, vale lembrar também que outra ‘singularidade’ importante da História enquanto campo de conhecimento refere-se ao seu necessário apoio em fontes (documentos, textos, imagens, objetos, e outros indícios que nos chegam das sociedades passadas).
Segundo, Maria Cândida Proença (1989) a realidade histórica, objeto da história, “…é humana, particular e passada. Pelo facto de ser passada só a podemos conhecer através de testemunhos (…). Daí a importância fundamental das fontes no ensino da história. Mas em história, os factos são particulares. As situações históricas ocorreram num tempo e espaços próprios e tiveram intervenientes específicos pelo que não se repetem” p.96.
É inquestionável que a História é o estudo do passado humano, mas será que este passado permite compreender melhor o futuro?
Eu penso que permite compreender melhor o presente e também o futuro. A aprendizagem da história permite aos alunos adquirirem métodos de análise de situações sociais, o desenvolvimento do rigor de pensamento e do sentido crítico. Para Maria Cândida Proença (1989:92) “O confronto de diferentes civilizações, culturas e mentalidades permite desenvolver nos alunos perspectivas relativizantes e abrir caminhos a atitudes de tolerância face a formas de pensar e de agir diferentes da sua, isto é, a aprendizagem da história pode ajudá-lo a compreender melhor a sua época, a si próprio e aos outros”.
Marc Bloch afirmava que "A incompreensão do presente nasce fatalmente da ignorância do passado. Mas talvez não seja mais útil esforçarmo-nos por compreender o passado se nada soubermos do presente".

O ensino da história deve visar o crescimento pessoal do aluno o desenvolvimento das capacidades e abandonar os métodos tradicionais, ou seja a aquisição do saber fechado, e apoiar-se numa metodologia que apela ao desenvolvimento da autonomia, criatividade e sentido de cooperação. Maria Cândido Proença (1989:93) afirma mesmo que “Importa abandonar o ponto de vista da transmissão de um saber enciclopédico, para realçar a relação da História com a própria vida. A História é vida”.


Por fim, a História resultado de uma ação humana ou a contemplação do Homem?


O Historiador é uma peça fundamental em todo o tipo de cultura. Ele retira e preserva os tesouros do passado, interpreta a História, aprofunda o conhecimento do presente. Um povo sem História, e sem o Historiador, é um povo sem memória” (http://saibahistoria.blogspot.pt/2006/06/importncia-da-histria-e-o-trabalho-do.html ).
O historiador tenta compreender e não julgar os factos. Cabe-nos então tentar relacionar os objetos de uma forma dialética considerando a totalidade e tendo em conta que também somos objeto nesse processo. Há também necessidade do historiador em usar a escrita e documentos, como vestígios, para facilitar o seu trabalho. É de extrema importância entender que a analise crítica é feita através de questionamentos onde as novas questões produz conhecimento histórico. O homem é um ser em movimento, monta e desmonta, constrói e desconstrói, logo não há uma história fixa.
Segundo Edward Hallet Carr (1982:47), "...os factos não falam por si só: apenas quando o historiador os interroga é que eles ganham legitimidade diante da História. É historiador quem seleciona os factos, os factos que realmente devem ser dignos de análises e compreendidos num contexto mais amplo – o da “macro-história”".
Hallet Carr ressalta, ainda que os factos históricos e os documentos são elementos fundamentais para o historiador. Mas só por si não constituem a História: é necessário que o historiador atue sobre seu objeto, elabore questões sobre ele, interprete-o, desenvolva pesquisas a partir das ciências auxiliares e, acima de tudo, “mergulhe” no seu tema e esteja cada vez mais próximo de sua pesquisa. “A função do historiador não é amar o passado ou emancipar-se do passado, mas dominá-lo e entendê-lo como a chave para a compreensão do presente.” (p. 61).



Entendo que o historiador deve estar aberto a novas perspectivas, a novas maneiras de se pensar. Contudo, é fundamental que continue o seu caminho a partir da crítica das fontes utilizadas. Dessa forma, o conhecimento, do historiador, é fundamental porque lhe permita utilizar diferentes recursos, sabendo discernir o que é válido do que não é.
Com as reflexões que exponho neste trabalho concluo que o historiador tem hoje um papel fundamental no motor da história; ele tem o poder de selecionar, classificar, criticar e por fim extrair uma conclusão do facto, portanto a História apesar de ser uma ciência, o facto histórico ou a realidade histórica só é tomado com rigor ciêntifico após uma reflexão do historiador, que o constroi.


Anabela Reis da Costa nº 1005141


Referências Bibliográficas


CARR, Edward Hallet (1982). O Historiador e seus fatos, in Que é História? . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 3.ed.

Mattoso José (2002). A Escrita da História in Obras Completas (vol. 10). lisboa: Circulo Leitores.
Proença, Maria Cândida (1989). Didática da História. Lisboa, Universidade Aberta.

Le Goff, Jacques (1997). Memória – História in Einaudi (vol I). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Webgrafia
http://www.infopedia.pt/$escola-dos-annales, visualizado dia 13.04.2012.
http://diegoricoy.blogspot.pt/2010/03/funcao-do-historiador-papel-do.html, visualizado dia 13.04.2012
http://pt.wikipedia.org/wiki

domingo, 18 de março de 2012

Algumas informações para compreender melhor a História

Conceito de História

História é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo. A História analisa os processos históricos, personagens e fatos para poder compreender um determinado período histórico, cultura ou civilização.

Objetivos

Um dos principais objetivos da História é resgatar os aspectos culturais de um determinado povo ou região para o entendimento do processo de desenvolvimento. Entender o passado também é importante para a compreensão do presente.

Fontes

O estudo da História foi dividido em dois períodos: a Pré-História (antes do surgimento da escrita) e a História (após o surgimento da escrita, por volta de 4.000 a.C).

Para analisar a Pré-História, os historiadores e arqueólogos analisam fontes materiais (ossos, ferramentas, vasos de cerâmica, objetos de pedra e fósseis) e artísticas (arte rupestre, esculturas, adornos).

Já o estudo da História conta com um conjunto maior de fontes para serem analisadas pelo historiador. Estas podem ser: livros, roupas, imagens, objetos materiais, registros orais, documentos, moedas, jornais, gravações, etc.

Ciências auxiliares da História

A História conta com ciências que auxiliam seu estudo. Entre estas ciências auxiliares, podemos citar: Antropologia (estuda o fator humano e suas relações), Paleontologia (estudo dos fósseis), Heráldica (estudo de brasões e emblemas), Numismática (estudo das moedas e medalhas), Psicologia (estudo do comportamento humano), Arqueologia (estudo da cultura material de povos antigos), Paleografia (estudo das escritas antigas) entre outras.

Periodização da História

Para facilitar o estudo da História ela foi dividida em períodos:
- Pré-História: antes do surgimento da escrita, ou seja, até 4.000 a.C.
- Idade Antiga (Antiguidade): de 4.000 a.C até 476 (invasão do Império Romano)
- Idade Média (História Medieval): de 476 a 1453 (conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos).
- Idade Moderna: de 1453 a 1789 (Revolução Francesa).
- Idade Contemporânea: de 1789 até os dias de hoje.

Conceitos de História

Alguns conceitos:

1 - "A história é uma pesquisa que nos ensina o que o homem fez, portanto, o que é o homem." (Collinwood).
2 - "O objetivo da História é por natureza o homem." (Marc Bloch)
3 - "A história está para a humanidade assim como a memória está para o indivíduo, é a memória coletiva." (Piancantol)
4 - "A história é um profeta com o olhar voltado para trás. Pelo que foi e contra o que foi e anuncia o que será."(Eduardo Galeano)
5 - "Não há história pura, não há história imparcial. Toda história serva à vida, testemunho e compromisso." (José Honório Rodrigues)
6 - "A história é um processo dinâmico, dialético, no qual cada realidade traz dentro de si o princípio da sua própria contradição e que gera a transformação constante na História é a luta de classe."(Karl Marx)
7 - "A realidade do social, a realidade fundamental do homem revê-la inteiramente nova aos nosso olhos e, queiramos ou não, nosso velho ofício de historiados não cessa de brotar e de reflorir em nossa mãos (...) Sim quantas mudanças!(...) Todas as Ciências Sociais, inclusive a História, evoluíram, igualmente de maneira espetacular, mas não menos decisiva." (Fernando Braudel)
8 - A História é a substância da sociedade. (Agnes Heller)