População da Europa nos séculos XVII e XVIII: Crises e
crescimento.
Do final do século XVI até à 2ª
parte do século XVIII, a população europeia aumentou mais lentamente que no
século precedente. Causas: crises económicas e guerra, que se traduziram no comportamento
demográfico.
Ciclicamente houve graves
crises de mortalidade, devidas quer às más condições de vida, geradas pelas
crises, quer às guerras, cada vez mais frequentes.
Só no século XVIII foi possível
travar essas crises, provocando a diminuição progressiva da mortalidade.
A regressão demográfica do século XVII
·
Taxa de Natalidade a rondar os 40%,
que resultava da procriação apenas limitada pela fisiologia e marcada pelas
atitudes políticas e religiosas populacionais;
·
Taxa de Mortalidade muito elevada,
entre os 35 e os 38%, incidindo sobre todas as faixas etárias, mas alcançando
os valores mais altos entre os recém-nascidos e durante a infância;
·
Esperança Média de Vida não ia além
dos 25-30 anos;
Principais fatores que provocaram recessão demográfica no século
XVII
·
Crises de subsistência (devido ao
clima);
·
Pestes e outras epidemias;
·
Guerras (principalmente guerra dos
100 anos).
Crises de subsistência
Entre 1580 e os finais do
século XVII, persistiram irregularidades no clima: Invernos demasiados chuvosos
- Invernos podres - e geadas na primavera faziam apodrecer as sementeiras.
Estes fenómenos meteorológicos provocaram más colheitas, escassez de alimento,
inflação e fome.
Períodos de crises de
subsistência: 1660-62, 1693-1699 e 1709-10.
Pestes e outras epidemias
Devido às duras condições de
vida e às crises de subsistência, a população estava sujeita às doenças,
principalmente as crianças.
Principais razões da
proliferação das epidemias:
·
Péssimas condições de vida
(subnutrição, doenças, envelhecimento precoce);
·
Impotência da medicina desta altura.
Guerras
As guerras frequentes
aumentavam a mortalidade e tinham influência na desorganização da vida
económica.
Provocavam:
·
Aumento dos impostos;
·
Inflação;
·
Paralisação das atividades
económicas;
·
Destruições nos campos e nas
cidades;
·
Multiplicação de pestes.
Progressão demográfica e melhoria das condições de vida
A partir de 1730, deu-se um
recuo das crises demográficas: a taxa de mortalidade baixou; a esperança média
de vida (à nascença) aumentou; e a população apresentava um maior nº de jovens.
Com a natalidade igualmente elevada, a taxa de crescimento natural foi
aumentando de forma progressiva.
Causas deste aumento
demográfico:
·
Progressiva melhoria climática
– regularizou a meteorologia, proporcionando anos de boas colheitas, o que
diminuiu as fomes. (Condições para a Revolução Agrícola.)
·
Progressos técnicos e
económicos – permitiram maior produção e melhor
distribuição dos bens alimentares (aumento da produtividade, introdução de
novas culturas e alargamento dos circuitos comerciais internos e externos), o
que contribuiu para o fortalecimento das populações e para o recuo das pestes e
das epidemias;
·
Desenvolvimento da medicina –
Prática da vacinação e maiores cuidados de higiene.
Uma nova demografia e crescimento demográfico no século XVIII
Fatores que incitaram ao
aumento da demografia:
·
Melhoria climática
(boas colheitas, diminuição das fomes, aumento da esperança média de vida,
alargamento do comércio interno e externo, etc.);
·
Progressos
científico-tecnológicos (trouxeram melhoria das
condições de vida, que por conseguinte acarretaram novos comportamentos
sociodemográficos)
Crescimento populacional
desigual na Europa:
·
Crescimento populacional mais
evidente nas zonas de maior dinamismo económico
– Inglaterra, Flandres, Prússia, etc.;
·
Crescimento populacional menos
evidente nas zonas de estruturas mais retrógradas –
França, Itália, Portugal, Espanha, e países de Leste.
- Tendo em conta o crescimento excessivo da taxa de natalidade, é necessário tomar medidas preventivas ao aumento desmedido da população (políticas anti natalistas): redução voluntária da natalidade pela prática do celibato e do casamento tardio.
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